Archives for janeiro, 2010

“A VOZ E A VEZ DO INSTRUMENTO”

quarta-feira, janeiro 27th, 2010

Dias 30 e 31 de janeiro bandas de blues, jazz e rock mostram a diversidade da produção instrumental brasileira


 

Com formações variadas, o projeto traz duas atrações por noite para o Teatro do SESC Pompeia: São Paulo Ska Jazz e Marcos Ottaviano & Kiko Moura e Rogério Botter Maio Cerne 5teto e Ana Fridman.

Dia 30 (sábado, 21h), São Paulo Ska Jazz e Marcos Ottaviano & Kiko Moura levam ao palco o melhor do blues, R&B, rock e country em performances instrumentais. Com influências variadas, que vão de Eric Clapton, B.B.King, Allman Brothers Band a Larry Carlton, Robben Ford e Albert Lee, a banda São Paulo Ska Jazz mescla composições próprias (“Walkway”, “Maybe”, “Shuffle for King”, “Little Angel”) com arranjos para clássicos (“Badge”,”Don’t Give it Up”, “Tiger Rag”, “Cissy Strut”, “Josie”, entre outras). Formado em 2004, Marcos Ottaviano & Kiko Moura preparam para 2010 o lançamento do primeiro CD.

Já no dia 31 (domingo, 18h) é a vez de Rogério Botter Maio Cerne 5teto e Ana Fridman. Com um time de jovens talentos, o contrabaixista e compositor Rogério Botter Maio mostra novo material, além das composições de seus CDs anteriores: “Crescendo” (1996), “Aprendiz” (2000) e “Prazer da Espera” (2006).

Em sua obra, ritmos brasileiros como xaxado, frevo, choro, samba e baião se fundem com a liberdade de improvisação do jazz, o sabor sulamericano e a música do mundo. Todas as composições do projeto são de autoria de Rogério Botter e executadas por João Paulo Barbosa (saxofones e flauta), Fábio Leandro (piano), Vinícius Gomes (violão e guitarra), Wagner Vasconcelos (bateria e percussão) e Rogério Botter Maio (baixos acústico, elétrico e voz).

Serviço: SESC POMPEIA APRESENTA A VOZ E A VEZ DO INSTRUMENTO
Rua Clélia, 93
Dias 30 e 31 de janeiro de 2010. Sábado, às 21h, e domingo, às 18h.
Teatro – Não recomendado para menores de 10 anos.
Ingressos:
R$ 3,00 a R$ 12,00
Lotação: 358 pessoas
Duração: 90 minutos
Telefone para informações: (11) 3871-7700

SOUKAST – Show e Workshop 31. Janeiro 2010‏

quarta-feira, janeiro 27th, 2010

O Workshop será realizado a partir das 16h, com duas horas de duração e um breve intervalo antes do show e se destina aos interessados em conhecer os ritmos, técnicas, instrumentações e recursos eletrônicos utilizados pela dupla. Na sequência… O show!!

Centro Cultural Rio Verde

Dia 31/01

Rua Belmiro Braga, 119 – Vila Madalena, SP

Workshop + Show: R$ 25,00 – 16:00h

Show: R$ 15,00 – 19:30h

Inscrições para o Workshop: re_productions@ymail.com

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LÉO MAIA NO SESC POMPEIA

quinta-feira, janeiro 21st, 2010

Cantor sobe ao palco para interpretar, entre outras canções, o repertório do álbum ”O Sopro do Dragão”

No dia 29 de janeiro (sexta. às 21h), o Teatro do SESC Pompeia recebe o cantor Leo Maia, que mostra ao público o seu trabalho mais recente, intitulado “O Sopro do Dragão”.  Além da canção “I go I go”, que integra a trilha sonora da novela “Viver a Vida”, fazem parte do repertório do show canções de Roberto Carlos, Tim Maia e Raul Seixas.

“Cavalo de Jorge”, disco lançado em 2005, foi o primeiro trabalho de Leo Maia e já evidenciava uma intensa devoção a São Jorge. Em “Cidadão do Bem”, disco de 2008, o funk deu o tom do trabalho, unindo samba soul e gafieira impregnados de alma black music.

Com 14 faixas, ”O Sopro do Dragão”, terceiro álbum do cantor, traz regravações como ”Homem do espaço”, de Jorge Bem Jor, canção que abre o disco dando pistas do suingue encorpado que se estende por todo o CD. .”Eu gosto mesmo é de namorar”, “Ela dança Gafieira”, “Agora Você Volta”, “Seda Chinesa”, Funk na Laje”, “Amor à Moda Antiga” (com Seu Jorge), “Amor em Movimento” (com Jerônimo) e “Bendita Gafieira” (com Otávio Moura), estão entre as 11 canções inéditas que podem ser encontradas no trabalho.

Serviço: LEO MAIA SE APRESENTA NO SESC POMPEIA
Rua Clélia, 93
Dia 29 de janeiro de 2010. Sexta, às 21h.
Teatro – Não recomendado para menores de 12 anos.
Ingressos: R$ 4,00 a R$ 16,00
Lotação: 778 lugares
Duração: 90 minutos
Telefone para informações:               (11) 3871-7700

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JABUTICABA ELÉTRICA

sexta-feira, janeiro 15th, 2010

Jabuticabas só existem no Brasil, mas não são só as jabuticabas que só existem no Brasil… Passei o Natal e ano novo numa chácara e paraanimar as festas montei uma traquitana com caixa de som, DVD , Ipod e outras coisas. O trambolho tinha quatro cabos de força. Para poderligar tudo era necessário uma régua elétrica ou… um benjamim! Sabe? Aquela pecinha (também chamada de “tê”) que permite que você liguemais de um cabo de força à tomada? E que chama benjamim por causa do Franklin? Ta bem, sei que tem que tomar cuidado, que não é recomendado,etc. Deixa eu terminar minha história?Pois o trouxa aqui sai pela cidade à procura do benjamim, como fiz a vida inteira. Só para descobrir que benjamins não existem mais. Desde o começo de 2009 o Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro), baixou uma norma padronizando osplugues e tomadas elétricas e adotando um sistema de pinos que só existe num lugar no mundo: aqui. Uma jabuticaba. Pausa. Entra em ação o PLPUP – Programa Luciano Pires de Utilidade Pública, tentando explicar, em caipirês, o que se passa. Fiz eletrônicano colégio, mas não entendo nada do assunto. Só pesquisei. Ó: As concessionárias fornecem energia para nossas casas por meio de dois fios: o neutro e o fase. É pelo fase que a tensão elétrica étransmitida. O neutro não tem tensão, é neutro. A rede elétrica de nossas casas é toda interligada e os vários aparelhos nela plugadosestão, portanto, interconectados, o que causa algumas variações elétricas. Por exemplo, os computadores – que contêm vários componenteseletrônicos em seu interior – costumam ter uma certa “fuga” de energia, que se aloja em suas extremidades metálicas. É a tal cargaeletrostática. Você já deve ter tomado alguns choques bem leves ao colocar a mão no computador, não é? Pois bem, essas pequenas “fugas” de energia costumam transmitir alguma “sujeira elétrica” por aquele fio neutro que deveria ter tensão zero, o que pode provocar problemas em equipamentos delicados. Por isso existe o “fio terra”, um terceiro fio (geralmente verde) que está conectado a uma estaca de cobre fincadana terra. Ele elimina toda “sujeira” elétrica dos componentes, descarregando a tal energia eletrostática para a terra.Vários equipamentos têm plugs com três pinos, normalmente dois chatos e um redondo, que é o terra. Mas como o Brasil não tinha o aterramentocomo norma, nossas tomadas não têm onde encaixar o pino terra. Muita gente quebra-o ou coloca um adaptador, deixando-o livre. Assim podemosligar os equipamentos de três pinos às nossas tomadas-padrão de dois furos. Mais uma das gambiarras brasileiras.Então o Conmetro adota um padrão brasileiro, bem criativo. Resultado: os aparelhos com três pinos não mais se conectarão nas tomadas. Osaparelhos importados com dois pinos chatos no padrão americano, também não. E os aparelhos nacionais com dois pinos redondos idem. E osbenjamins ficam proibidos. E os adaptadores não existem ou são complexos e caros. A saída? Trocar as tomadas de casa. E os plugs dos aparelhos! Vamos lá então… Digamos que não exista algum interesse comercial por trás dessa mudança e que ela foi implementada por exclusivo foco nobem estar dos brasileiros. Quanto tempo vai levar para surgir uma indústria de adaptadores-pirata vendidos nos camelôs? Fabricados dequalquer jeito aqui, no Paraguai ou na China? Neutralizando qualquer boa intenção técnica do Conmetro? Como sempre, nosso problema não é o que fazer. É como fazer. Num mundo que caminha para a simplificação, o Brasil, que não aprende com o passado (lembra do Pal-M?) insiste nas jabuticabas. Adivinha quem paga a conta? Claro que não é o Benjamin. É o Mané aqui. E aí… 

Luciano Pires

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É preciso saber…

quinta-feira, janeiro 14th, 2010

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final…

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu….

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora…

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração… e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..

E lembra-te:

Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão

Fernando Pessoa

Cada dia a mais, é um dia a menos

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VIÚVAS E PERIGOSAS

domingo, janeiro 10th, 2010

Um Roteiro de

J.Olímpio

Copyright © 1998 by J. Olímpio

Todos os direitos reservados

Cx.Postal:7297-CEP:80001-970 Curitiba – PR Brasil; tel.(041)335-9744

E-mail: jolimpio@mais.sul.com.br

 

Música: “Maxixe das Viúvas”

Seqüência 1

(exterior – dia)

Numa longa fila de pensionistas do INSS, Marli e Leonor parecem protestar.

MARLI:

- Mas o que é que esses homens do governo pensam que a gente é, hein?… Uma escola de samba falida e mal-paga, de carnê na mão?!!… (cochichando, maliciosa, p/ Leonor) … Vamos agitar um pouco essa pasmaceira…!

LEONOR:

- … É isso mesmo, qual é a de vocês aí, ó do guichê da fome!… Vão ou não vão liberar a micharia?!… (gargalhada mal-contida)

O povo da fila começa a se agitar e a apoiar a reclamação das duas.

O vigilante da agência se aproxima e aborda as velhotas.

VIGILANTE:

- Ô, minhas tias, peguem leve… As senhoras estão perturbando a calma da terceira idade aqui reunida…! ( p/ todos) Olha aí, meu povo, cada um cuidando de sua senha que, na hora certa, todo mundo vai receber direitinho a pensão…

LEONOR (quase cortando):

- Pensão? Você chama essa esmola de pensão??!… Tá brincando com a minha pressão alta, meu filho?!… E se sobrar alguém vivo até a hora de receber, acaba gastando tudo na farmácia…!

MARLI:

- Sabe desde que horas a gente está nessa sauna de pobre aqui, rapaz?… Desde as seis da madruga…! (em tom de discurso) Isso é o maior desrespeito à dignidade e aos direitos do trabalhador aposentado brasileiro!…

A fila toda aplaude e o descontentatmento se generaliza. O Vigilante recua e confabula com o pessoal do guichê. A gritaria aumenta. Pessoas da fila brandindo os carnês e exigindo pronto atendimento. As duas agitadoras insuflam o povo, demonstrando convicção e parecendo realmente indignadas.

corte

Seqüência 2

(exterior – dia)

A balbúrdia se acalma, as velhotas começam a “ceder” seus lugares na fila, em troca de pequenos favores.

MARLI (p/ o próximo da fila):

-… Mas olha só, que pena!… Desde as cinco da manhã?… Por que o senhor não troca de lugar comigo? Eu posso agüentar… Não, sem problema…! A gente tem mais é que se ajudar, né?!… Afinal, é só um ônibus a mais que vou tomar.

HOMEM:

- Toma aqui um vale-transporte pra senhora e que Deus lhe pague a gentileza…

MARLI:

- O quê? Pra mim?!… Ah, que gentil, o senhor não precisava se incomodar!… Bom, o caso é que a gente precisa mesmo, né?…

A câmera focaliza duas vagas adiante…

LEONOR (p/ uma senhora obesa, atrás dela):

-… Ah, mas é um sofoco ficar nesse sol a manhã inteira, a senhora deve estar morta de calor e de fome!… Por que não pega um chocolatinho?… Aliás, a minha sobrinha faz uns leques tão lindos… Deixa ver… Acho que eu tenho um aqui na bolsa… Ah, olha aqui ele, ó… Não é uma graça?… Pega, se refresca um pouco, menina… Faz o seguinte: pega o meu lugar, que hoje eu tô de folga; os meus netos foram pra casa da outra avó, no interior …

SENHORA OBESA:

- Ai, a senhora não sabe o quanto eu lhe agradeço!… Esse leque é tão lindo! A sua sobrinha lhe deu de presente?

LEONOR:

- Não…! Eu comprei pra ajudar a pobre a sustentar os cinco filhos, que ela teve com aquele cachaceiro!… Tadinha, na hora “H” não soube dizer não… Acabou ficando com a filharada pra criar e o bafo da pinga pra agüentar!…

SENHORA OBESA:

- Ah, mas então a senhora me diga quanto é o leque, que eu quero ficar com ele.

LEONOR:

- Olha, que amor!… A senhora não existe… São só dois e cinquenta. Ela vai ficar tão feliz, obrigada!…

fusão (c/ trilha sonora de 2 acordes de harpa)

Seqüência 3

(exterior – dia)

Marli e Leonor seguem juntas pela calçada, já na rua onde moram, contabilizando o dia passado na fila.

LEONOR:

- Ai, Marli, amiga velha…

MARLI:

- …Vizinha e quase irmã…!

LEONOR:

-… E comparsa, já esqueceu?!… Desde os tempos de solteira…

MARLI:

-… Êta nóis!… Mais assanhadas impossível!

(risos galhofeiros)

LEONOR:

- Pois é, sua velhota safada, quando é que nós vamos parar de dar esses golpezinhos mixurucas e encarar uma coisa que valha a pena??

MARLI:

- Em primeiro lugar, velhota é você, Leonor… (tom de deboche) Eu sou mesmo é uma dama disfarçada de plebéia, uma flor do subúrbio que o mundo não soube admirar…!

LEONOR:

-… Em resumo: uma mocréia abusada, sem nenhum tostão na bolsa e cheia de reumatismo!…

(gargalhada desabrida)

LEONOR:

- Tá bom, “Lady Marli de las Cucarrrrachas” (ênfase / deboche)… E sobre aquele papo da gente se arrumar na vida, hein?…

corte

Seqüência 4

(interior – fim de tarde)

Sentadas na cozinha da casa de Marli, as viúvas retomam a conversa.

MARLI:

- Olha, eu só sei que tem gente faturando zilhões por aí… E nem sempre o negócio é sério, hein?!…

Marli levanta e vai até o armário. Liga uma TV 14″ que, após uns trancos, começa a funcionar.

LEONOR:

- Iiihh… Na hora do aperto, neguinho até canta samba em japonês…!

Na TV, aparece um comercial de Tele-sexo, com uma garota – só de calcinha de renda preta – fazendo caras, bocas e trejeitos pré-orgásmicos numa cama.

MARLI:

- Taí, eu não disse?… Faturam com tudo…! Até com safade… (estaca) Caramba…!

LEONOR (espantada):

- …O quê!… Você não está pensando em…

MARLI (cortando):

- Nãããoo, sua boba…! E eu lá tenho hormônio e silicone suficientes pra isso?… Eu estou falando em montar um Disk-alguma-coisa, sei lá…!!!

LEONOR:

- … Hummm, pizza… (careta) sanduíche, sushi… Ah, dá muito trabalho e a concorrência já é enorme…! O quê será que ainda falta o pessoal entregar a domicílio?… Nada!…

MARLI (estalando os dedos):

- Aí que você se engana! Tem um serviço muito importante, que ninguém ainda se lembrou de prestar e perfeito para duas gentis senhoras como nós: (cara safada) chorar em velório…!

LEONOR:

- …(??!!!)

MARLI:

- É isso mesmo…! Já estou até vendo o anúncio:…

Aparece o anúncio (c / solo de trombone fúnebre-jocoso [tema Maxixe]), enquanto a voz de Marli lê o texto em off.

MARLI:

- “Sua vida está por um fio? Seus dias nesta terra estão por findar?… E você não sabe se alguém derramará lágrimas sinceras, no ensejo de sua derradeira viagem?… Agora você já pode exalar seu último suspiro em paz, sabendo que, ao passar desta para a melhor, será acompanhado por nosso respeitoso pranto fúnebre. Não deixe para a hora da passagem desta para a melhor, chame-nos imediatamente: DISK-VELÓRIO, carpideiras competentes a seu eterno dispor…!”

LEONOR (ajuntando em close) :

-… ” DISK-VELÓRIO: sua garantia de um velório bem infeliz…”

Em silêncio, as duas se olham por um segundo. Depois, gritam e gesticulam juntas:

LEONOR e MARLI (espalmando-se, como as jogadoras de vôlei):

- … Yes!!!…

fusão: ( Mús.: + dois toques de harpa)

 

Seqüência 5

(exterior / interior – dia)

Clipe mudo (só com música) em alta velocidade, mostrando os preparativos para a recém-criada “empresa”; desde a elaboração da logomarca (desenhada à mão), até a escolha e a prova das roupas de trabalho (vestidos e chales pretos), mais os “ensaios de choro”. fade

 

Seqüência 6

(interior – noite)

Leonor cochila numa poltrona, cabeça pendida para trás e boca aberta (cara de morta). Marli, que estava ao telefone, entra correndo e gritando, agitando um pedaço de papel. Leonor só desperta após o segundo grito (histérico).

MARLI:

- Leonor, Leonor!!…

LEONOR:

-… Hãããnnn…?! (engasga e pigarreia) … O quê?!…

MARLI:

- … Nosso cliente especial cadastrado com o número 00013 acaba de gloriosamente FA-LE-CER!… E nossa infaltável presença está sendo requisitada em sua câmara ardente, conforme previsto em contrato!… Agita aí essa carcaça e vamos nessa, garota-prodígio!…

corte c/ efeito especial (turbilhão*)

Seqüência 7

Mús.: *Tema de “Batman” (abertura)

(interior / exterior – noite)

Clipe mudo (só música), com os preparativos das duas a caminho da missão (tipo Rambo), a checagem do “equipamento” (garrafa térmica, biscoitinhos, balinhas, papel higiênico, cebola etc) e o embarque no táxi (caras e bocas de espiãs). Termina com o táxi saindo em alta velocidade. Fade

Seqüência 8

Mús.:

( interior – noite)

Marli e Leonor chegam à capela mortuária. O defunto está completamente só.

LEONOR:

- Pombas, isso é o que eu chamo de velório tranquilo…! Esse cara nasceu de chocadeira ou era algum eremita?…

MARLI:

- Sei lá… Por mim ele podia ser até o chupa-cabras, que dava na mesma… Mas ainda bem que o nosso cachê vai ser debitado automaticamente, na conta aí do de cujus… Já pensou se a gente dependesse dos parentes dele?!…

Mostra a face “serena” do velhinho estirado no caixão.

LEONOR:

- E agora, o que a gente faz? Começa a chorar, sem ninguém pra assistir o show?…

MARLI:

- Nada disso.! A ordem, agora, é: relaxe e aproveite!… Ô dinheirinho bem ganho…

LEONOR:

- Só…

O tempo passa (alterna closes do relógio / expressões de sono das duas + música enfadonha: Maxixe / clarineta ‘adagio’ ). Por falta do que fazer, elas adormecem sentadas na capela.

Seqüência 9

Mús.: Maxixe (tuba soturna + guitarra c/ distorção)

(interior – mesma noite)

As velhotas despertam subitamente, quando uma motoqueira – toda vestida em couro, botas de cano alto e óculos escuros – entra na capela mascando chiclete.

VALENTINA:

- Licença… É aqui o velório do tio Ermenegildo?…

MARLI:

- Ahnn, … Ele é, digo, ele era seu tio, mocinha?

VALENTINA (se “ajeitando” na pose):

- Mocinha não, que eu já estou bem crescidinha, tá, vovó? Meu nome é Valentina Troncoso. E aí, este é ou não o velório do meu tio Ermenegildo, pô?…

LEONOR:

- Ermenegildo Malaquias Troncoso, sim senhora…! Nosso satisfeito cliente especial, cadastrado sob o número 00013… (indignada) Por quê, hein?!…

VALENTINA (sorriso matreiro):

- Nada, não… Eu só vim ver se o velhote safado empacotou mesmo, pra poder reclamar a herança. Afinal, eu sou a única herdeira aí do sovina.

As carpideiras se entreolham, gulosas, e – com um olhar disfarçado – armam o bote.

MARLI (fingida / gentil):

-Ah, mas não me diga!… Sortuda você, hein?! Quer dizer que seu tio era bem-dotado…? Ooops… Quero dizer, bem de vida, né?…

VALENTINA:

- Bom, ele não era assim nenhum zilionário…! Mas eu é que não vou abrir mão dos 3 apartamentos no centro, da fazenda de soja, das 5 lojas no shopping e, principalmente, da fábrica de suco de banana.

MARLI e LEONOR juntas (espanto):

- Suco de banana???!…

VALENTINA (off):

(sobre imagens de bananas sendo esmagadas por rolos-de-macarrão e, já em pasta,acondicionadas nas embalagens)

- É… (tom pseudo-publicitário) ele inventou um processo especial de esmagamento produtivo da fruta, que conserva suas propriedades e seu sabor característico, a um custo baixíssimo… Realmente a custo de… banana! (tom) As vendas cresceram 300% no último ano e continuam crescendo…!

LEONOR:

- Que massa…!

VALENTINA:

- É, mas tem um porém: o velho encabeçou que eu só vou poder receber a herança se cantar uma música, na hora do enterro…

MARLI (falsa):

- Ai, mas que coisa mais bonita… E daí, qual é o problema em fazer a última vontade do velhinho?

VALENTINA (exaltada):

- O problema é que eu nunca ouvi nem uma nota de uma tal de “La Vie en Rose”, quanto mais ia saber cantar essa coisa!…

As velhas se entreolham por um instante e, com cara de cantoras do rádio antigo, começam a cantar:

LEONOR e MARLI (juntas):

- Comme…

VALENTINA (surpresa):

- Pô, é essa aí mesmo…! Vocês conhecem a melô inteira?!…

MARLI:

- Xiiii, a gente canta isso de cor e salteado, desde o tempo em que moça direita só beijava homem na boca depois de noiva…

LEONOR:

-… E só ia à praia com maiô de saiote por cima…!

MARLI:

-… É, e só…

VALENTINA (cortando):

- Tá, tá, já chega desse “papo-de-asilo”!… Qual das duas vai me ensinar essa perereca de música antiga?… Tô pagando bem, sabiam…?

LEONOR:

- Pagando bem?… (pausa + tom) Menina, essa é a grande chance da sua vida…! Você tem mais é que agarrá-la a qualquer custo…!

MARLI:

- … Ééééh…! E não despreze a sorte de ter achado duas pessoas como nós, dispostas a emprestar c-a-r-i-d-o-s-a-m-e-n-t-e nosso conhecimento musical para que você abiscoite sua polpuda herança… (ladina) Por quarenta por cento da bufunfa, nós fazemos você cantar “La Vie en Rose” até dormindo…!

VALENTINA:

- Qual é, vovó, tá pensando que eu tô no desespero, é…?

LEONOR:

- E não tá, não?!…

Close de Valentina desconcertada.

Corte

Seqüência 10

Mús.:

(exterior – dia)

Plano geral de um cemitério-parque. À beira de um jazigo aberto, visivelmente desconfortável, Valentina prepara-se para começar a cantar. Junto do advogado presente, Marli e Leonor parecem torcer pelo sucesso da moça.

ADVOGADO:

- Muito bem, pode começar.

VALENTINA (c / voz trêmula):

- Comme…

À medida que ela canta e as velhotas roem as unhas, a câmera se aproxima do caixão aberto, chegando a um big close do defunto. Alternam-se planos fechados das carpideiras, “chorando profissionalmente”, de Valentina cantando – acompanhada p / orquestra – e, no último verso da canção, fecha novamente no defunto que, repentinamente, desperta e canta o final junto com a sobrinha, sentado

no caixão…

TIO ERMENEGILDO:

- …. la vie en roseeeeeeee…. Ai, minha cabeça…!!!

VALENTINA (engasgando na última sílaba):

-… ros… (toss…!) … Caramba…!

LEONOR:

- Pelas barbas do meu falecido Onofre, o velhote não desencarnou…!

MARLI:

- Meus pecados, o velho voltou das trevas…!

VALENTINA:

- Titio, o senhor tá…, tá…, tá v-i-v-o?!…

TIO ERMENEGILDO:

- Que palhaçada é essa?… Claro que tô… Ui, mas que dor de cabeça!…Valentina, você tem certeza que me deu a dose certa daquele calmante?… E por que, diabos, eu tô dentro de um caixão e você tá cantando “La Vie en Ro…???!!!

Todos olham para Valentina, indignados com a revelação da farsa quase fatal. Enquanto ela tenta convencer o tio e o advogado de sua inocência, Marli cochicha com Leonor. Começam a se afastar dali.

MARLI:

- Amiga…

LEONOR:

- … Companheira…

MARLI:

- … Deixa disso!… Vamos tratar de salvar o nosso, que a peruazinha ali (aponta Valentina) tá quase indo pra panela…

LEONOR:

- E eu é que não vou querer fazer companhia pra ela…!

Quando as duas já estão a uns trinta metros do jazigo, escutam a quase-assassina gritar:

VALENTINA:

- … E aquelas duas lá, ó, é que armaram tudo…!

LEONOR (à meia-voz):

- Mas que piranha…!

MARLI (à meia-voz):

- Ah, eu é que não vou ficar pra ver o circo pegar fogo!…

LEONOR:

- Muito menos eu…! S’imbora, minha nêga, de volta pra fila do INSS!…

MARLI:

- Ai, ai…! Adeus, sonhos de glória e de fortuna!…

As duas apuram o passo, enquanto Valentina e o advogado saem atrás delas. O ex-defunto esbraveja e gesticula, ainda sentado no caixão. A câmera sobe logo após a passagem delas, abre o plano e estabiliza no alto (grua).

Mús.: tema final (Maxixe)

Créditos finais sobre a imagem

FIM

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O perfume de Ivonne

domingo, janeiro 10th, 2010

“O perfume de Ivonne”, de Patrice Leconte – Delicada e pouco usual história de amor, que só poderia dar num filme francês. O jovem Victor narra a história em flashback: no verão de 1958, ele saiu de Paris (à beira da guerra que se travaria na Argélia) e se hospedava numa pensão à beira do lago Genebra, quando conheceu Ivonne, uma jovem acompanhada de seu cão, no hall de um hotel chique. Da mesma forma casual como se encontram, Yvonne põe a perna encima da perna de Victor, discretamente, debaixo da mesa enquanto os dois almoçavam; e ele, a princípio surpreso pela iniciativa dela, acaricia também com discrição o joelho dela. Assim, Victor e Ivonne passam a se relacionar, num clima de encantamento e sensualidade crescentes, como se tivessem todo o tempo do mundo para curtir, sem compromisso com nada, até chegar a um melancólico final, que parece abrupto. O roteiro é adaptado de um romance, com uma estrutura literária, ao emendar cenas de tempos diferentes sem dar pistas a quem assiste ao filme pela primeira vez. Meio difícil – mas o impacto do romance dos protagonistas segura o interesse até o desfecho, da mesma forma como é intrigante as revelações sobre o caráter de Yvonne. Quando seria fácil concluir que ela era uma oportunista, o que parece é que o encanto da relação com Victor se quebrou para ela a partir do momento em que ele estabelece compromissos para Yvonne – uma viagem à América, para ela se lançar como atriz numa carreira internacional -, trazendo a realidade opressiva para dentro do que era, até ali, uma atmosfera de sonho, um paraíso do amor. Foi Yvonne quem tomou a iniciativa da relação, no início do filme, e é ela quem encerra tudo. Não se esclarece se ela agiu de maneira pragmática ou sofrida, mas um francês diria que “une femme c’est une femme”.

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FELIZ ANO NOVO!

sexta-feira, janeiro 1st, 2010

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