


Quem mais sabe do equilíbrio da natureza do que os índios?
Entrevista com índio parkatêjê paraense sobre mudanças climáticas:
“No verão esquenta e a água sobe; o corpo está quente e a água sobe; de noite esfria e volta de novo a água no corpo da gente. O calor da
água está em tudo: em nós, na madeira, nas plantas e sobe e vai juntando. Forma nuvem. E quando está no dia da chuva, cai pra nós bebermos,
para os animais, para as plantas…
A madeira (o mato) é nosso pai, dá a produção pro filho comer e defende a gente. A terra diz: ‘Eu sou a mãe de vocês; agora vocês têm que me
gostar e me usar para viver.’ A terra é nossa mãe – cria a gente. A terra quer que a gente produza para comer. A terra – não sabemos de
demarcação – não tem limite, é aberta. Índio anda 60 quilômetros num dia. Mato diz pro filho: ‘Olha, filho, eu vou me produzir pra você
comer, mas você tem que me olhar e não deixar me prejudicar.’
O céu é nosso irmão mais velho. Ele manda na chuva e manda a chuva pra nós, pra beber, molhar as plantas, criar peixes, tomar banho, lavar…
A mata é um lençol para nós, por isso índio morava na mata. É saúde.
O sol é forte, traz doença e o vento carrega a doença pro mundo (não é só para o índio); a mata atrapalha o vento e não deixa passar a doença.
Agora não tem mais mata. Por isso está aparecendo muita doença.”
Precisa comentar?

A sociedade moderna e, principalmente, pessoas mais jovens parecem ter perdido a noção da importância dos símbolos, dos rituais, da forma como as coisas devem ser feitas. Focadas apenas no conteúdo, as pessoas embrutecem a vida, empobrecem as relações sociais e se tornam menos humanas.
Esses pequenos símbolos, breves rituais, fazem a vida mais agradável. Gestos de gentileza e cortesia elevam o ser humano ao seu verdadeiro patamar.
É importante lembrar aos jovens e às pessoas que se dizem modernas que enviar flores de agradecimento a alguém não caiu de moda. Mandar um bilhete de agradecimento também não caiu. Dizer “com licença” ao atravessar a frente de alguém continua na moda. Dizer “por favor”, também. E “obrigado” nunca deixou de fazer parte do rol de palavras que identificam uma pessoa civilizada.
Vejo em supermercados, lojas, cinemas e mesmo em empresas, pessoas que mais se parecem com animais irracionais, embrutecidos pela ausência da inteligência social que caracteriza e distingue o ser humano das outras espécies.
A ausência de polidez, de educação, de um mínimo de respeito, está tornando os ambientes insuportáveis, e da falta de educação para a violência é um pulo.
Essa ausência de polidez se mostra na forma de falar, rude, grossa. Na forma de vestir, na forma de se comportar em ambientes públicos, na ausência de respeito e consideração às pessoas simples. Quantas vezes você já viu alguém tratando mal um garçom ou recepcionista?
Vejo pessoa com medo de ir a lugares públicos por saber da falta de civilidade que encontrará. E não pense o leitor, tratar-se de pessoas aristocratas ou burguesas. São senhoras e homens de mais idade, vítimas da falta de educação que beira a violência.
Veja como, no seu trabalho, na sua casa, no seu dia-a-dia, você pode fazer pequenos gestos de gentileza, cortesia, educação. Pense em como seria bom se você mesmo valorizasse mais a polidez.
A polidez não é uma coisa supérflua e antiga.
A ausência de polidez está transformando a sociedade em um lugar menos humano.
Pense nisso. Sucesso!

Por Rubem Alves -

O Centro de São Paulo ficará mais colorido. São 24 ruas da região da Sé que receberão, já nos próximos dias, cerca de 400 ipês roxo e amarelo. A arborização de uma das áreas da cidade mais degradadas ambientalmente é resultado de uma iniciativa da Matilha Cultural, em parceria com a vizinhança da entidade, junto à Prefeitura da cidade de São Paulo.
O plantio é parte da compensação ambiental da Marginal Tietê e incluirá também ações na região da Bela Vista e da Barra Funda, mas tem como pano de fundo uma intensa mobilização da população civil. Em outubro de 2009 a Matilha iniciou um processo de mobilização de moradores e trabalhadores da região central, colhendo mais de 1.500 assinaturas para um abaixo assinado que pedia um adensamento do verde na área. O primeiro efeito da iniciativa foi sentido ainda em dezembro, quando, junto com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, foram plantadas 19 árvores em canteiros abandonados na região. “Começamos a ação porque percebemos a ausência de verde e o calor excessivo do centro”, explica Rebeca Lerer, diretora da Matilha. “O centro de São Paulo já sofre um fenômeno de aquecimento local. Em alguns dias, a região é de 3ºC a 5ºC mais quente do que outras áreas da cidade. O plantio de 400 árvores vai trazer mais umidade e amenizar a temperatura, melhorando o microclima do coração de São Paulo”. O contato com a secretaria abriu portas para que o Centro da cidade fosse definitivamente incluído no Programa Municipal de Arborização Urbana. Para determinar os locais de plantio, a Secretaria do Verde e a Subprefeitura da Sé partiram de pedidos da sociedade civil organizada nestes locais e promoveram um levantamento das ruas do entorno do local de onde veio a solicitação. “Tudo está acontecendo mais rápido do que a gente esperava”, afirma Rebeca Lerer, Diretora da Matilha Cultural. “Vamos conseguir realizar um objetivo nosso que contagiou toda a comunidade, mas que muitos consideravam impossível, ainda mais no curto prazo. Isso mostra que a mobilização da sociedade pode criar oportunidades que geram benefícios concretos para a cidade”, exalta. Em 2009 a cidade de São Paulo recebeu 202.949 novas árvores por meio do Programa Municipal de Arborização Urbana. Esta ação é realizada por equipes da Secretaria do Verde e das Subprefeituras, por meio de parcerias ou originadas de compensações ambientais. Desde 2005, quando foi iniciado o programa, já são cerca de 800 mil novas árvores na cidade. A compensação ambiental pela obra da Marginal do Tietê inclui o plantio de 83 mil árvores no entorno da Marginal e subprefeituras vizinhas, contribuindo para reduzir as ilhas de calor e melhorar os índices de umidade relativa do ar, com repercussões positivas para a saúde dos habitantes dos bairros. 4.900 serão plantadas na própria Marginal Tietê, que dobrará, assim, sua própria cobertura arbórea. “A Matilha discorda da obra realizada na Marginal Tietê, pelo impacto ambiental direito que causou e por beneficiar um modelo de cidade dominada por carros. Mas a obra está concluída e a compensação deve ser feita; nesse sentido, ficamos felizes em ter conseguido direcionar este recurso para a arborização do centro de São Paulo”, finaliza Rebeca.
Confira os locais dos plantios na região da Sé:
1. R: Amaral Gurgel do nº 145 ao 287
2. Lgo. do Arouche canteiro central
3. R: Bento Freitas
4. R:Rego Freitas
5. R: Sta. Isabel
6. R:General Jardim
7. R: Cesário Mota Jr
8. R: Teodoro Baima
9. R: Epitacio Pessoa
11. R: do Triunfo
12. R: Aurora
13. R: Andrades
14. R: Vitoria
15. R: General Couto de Magalhães
16. R: Mauá
17. Estação da Luz
18. R: Casper Líbero
19. R: Timbiras
20. R: Gusmões
21. R: General Osório
22. Av. Rio Branco (da Av. Duque de Caxias até Largo Paissandú)
24. Largo Paissandú

O sucesso da primeira edição do Sarau das Poéticas Indígenas nas Casas das Rosas em 2009 garantiu a continuidade do evento e a segunda edição terá como tema a Amazônia. Serão apresentados índios das três etnias que participaram do levante popular denominado Cabanagem no Século XIX: os Munduruku, os Mura e os Mawê. Em 2010, ao completarem 170 anos do fim dos combates cabanos, a cidade de São Paulo terá a oportunidade de conhecer as vozes, os gestos e os cantos revolucionários da floresta.
Participarão do Sarau o poeta Daniel Munduruku, que encabeça o movimento brasileiro da literatura indígena, Carlos Tiago, um jovem poeta Saterê Mawê, do Estado do Amazonas e Juju Mura, que fará a dança que herdou das suas gerações passadas, uma lembrança sobrevivente do povo Mura que foi praticamente extinto por serem grandes guerreiros e demonstra que a poética indígena não reside apenas nas palavras. Leandro Mahalem Lima, autor de Rios Vermelhos, uma pesquisa científica (USP) que discorre sobre o tema, reviverá a história dando voz aos cronistas e romancistas que escreveram sobre os rebeldes cabanos, evocando a tradição indianista dos escritores viajantes do Século XIX. A curadora Deborah Goldemberg explica o tema escolhido para o II Sarau:
“Esse ano vamos homenagear esse território tão em pauta, que é a Amazônia, e valorizar a grande importância que os índios tiveram, junto com ribeirinhos e negros escravos e libertos, nesta importante revolução brasileira que segundo historiador Caio Prado Junior é: ‘…um dos mais, senão o mais notável movimento popular do Brasil. É o único em que as camadas mais inferiores da população conseguem ocupar o poder de toda uma província com certa estabilidade. Apesar de sua desorientação, fica-lhe contudo a glória de ter sido a primeira insurreição popular que passou da simples agitação para uma tomada efetiva de poder’”.
A cabanagem teve inicio 1835 e término em aproximadamente 1840 e teve grande resistência popular. A guerra ganha sua importância porque o movimento insurgiu contra os portugueses e os luso- brasileiros, minoria branca, que detinha o poder no Estado que então era o Grão Pará e chegaram inclusive a expulsar uma almirante Inglês e seus subordinados que tentaram tolher a revolta.

Atividade marca o encerramento da exposição “Gordon Matta-Clark: desfazer o espaço”
A área educativa do Museu de Arte Moderna de São Paulo promove no dia 4 de abril (domingo), entre 11h e 13h, a oficina de vivências práticas com o coletivo Ocupeacidade, dentro do Família MAM, programa que tem por objetivo estimular pais e filhos no contato com a arte. A entrada é franca e para participar, basta tirar senha com meia hora de antecedência (são 30 vagas). A atividade marca o encerramento da exposição “Gordon Matta-Clark: desfazer o espaço”.
A oficina propõe possibilidades para alterar a percepção do espaço da marquise do parque do Ibirapuera e do entorno do MAM. Para isso, serão construídos objetos de papelão que, recortados, organizados e aliados à técnica do lambe-lambe, servirão como matéria-prima transformadora do espaço. A oficina foi pensada a partir de questões pertinentes à exposição do artista Gordon Matta-Clark. O grupo, atuante desde 2006, propõe ações no espaço urbano, estimulando a reflexão sobre relações pessoais, urbanas e artísticas.
SERVIÇO
Família MAM oficina Ocupeacidade
Data: 4 de abril (domingo), das 11h às 13h
30 vagas
Local: Marquise – MAM-SP
Endereço: Parque do Ibirapuera, av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3
tel (11) 5085-1300
Grátis – retirar senha com meia hora de antecedência
Participação aberta ao público em geral – sem restrição de idade
Site: www.mam.org.br

Recife, São Luís, Goiânia e Belém confirmam a adesão ao movimento global e o número de capitais que ficarão no escuro no dia 27 de março supera o de 2009. Em Brasília, a Frente Parlamentar Ambientalista também anuncia seu apoio à Hora do Planeta.
A três dias do evento, o número de adesões à Hora do Planeta no Brasil está crescendo ainda mais rapidamente. Mais quatro capitais brasileiras – Recife, Goiânia, Belém e São Luís- confirmaram a participarão no movimento global. O Brasil supera o número de capitais que aderiram no ano passado: são 15 nas cinco regiões do Brasil (Rio de Janeiro/RJ, São Paulo/SP, Vitória/ES, Campo Grande/MS, Cuiabá/MT, Goiânia/GO, Curitiba/PR, Porto Alegre/RS, Fortaleza/CE, Recife/PE, São Luis/MA, Manaus/AM, Palmas/TO, Rio Branco/AC e Belém/PA).
As capitais irão apagar as luzes de monumentos das cidades, num gesto simbólico, como forma de mostrar ao mundo a preocupação com o desmatamento, a degradação dos ecossistemas e as mudanças climáticas.
Na capital pernambucana, Recife, ficarão no escuro o edifício sede da prefeitura e a Ponte Duarte Coelho, que liga os bairros de Boa Vista e Santo Antônio e é também conhecida por ser o ponto de apoio do Galo da Madrugada, famoso bloco de carnaval da cidade, e abrigar um grande boneco do Galo nos dias de folia. Já em Belém, a prefeitura irá realizar um evento no mercado de São Braz, que terá suas luzes apagadas.
Em São Luís, a Secretaria Municipal de Governo anunciou que vai desligar as luzes dos ícones Palácio La Ravardiere (Sede da Prefeitura Municipal), Memorial Maria Aragão, Fachada da Igreja dos Remédios, Sereia da Praça Dom Pedro II e o Monumento da Praça Gonçalves Dias.
Em Goiânia, o Viaduto Latif Sebba, localizado na Praça do Ratinho, ficará no escuro na Hora do Planeta e chamará a atenção dos moradores da capital do estado de Goiás. Acostumados a avistar facilmente o monumento acima do viaduto, composto por três prismas de aço de 56 metros de altura bem iluminados por 12 refletores internos e oito internos, os goianienses receberão o recado da Hora do Planeta ao perceber o viaduto apagado. O elevado João Alves de Queiroz e o Parque Municipal Flamboyant Lourival Louza também ficarão sem iluminação na noite da Hora do Planeta.
Recife, São Luís, Goiânia e Belém se unirão no dia 27 de março, às 20h30, a um grupo de 61 cidades brasileiras – incluindo outras 11 capitais – em 19 estados em cinco regiões do país, e mais 2.521 cidades em 120 países de norte a sul no planeta. No Brasil, ainda dois governos estaduais – Minas Gerais e Acre -, 1.506 empresas e 249 organizações estão apoiando a Hora do Planeta 2010, que é liderada pelo WWF-Brasil, com o patrocínio da Coca-Cola Brasil, Walmart Brasil, TIM e HSBC.
Frente Parlamentar Ambientalista
Em Brasília, a Frente Parlamentar Ambientalista, que reúne deputados e organizações que defendem o meio ambiente, anunciou sua adesão à Hora do Planeta 2010 nesta quarta-feira (24/3).
O superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Claudio Maretti, fez a apresentação sobre o movimento de mobilização da sociedade aos mais 20 parlamentares presentes.
Neste Ano Internacional da Biodiversidade, o WWF-Brasil chama a atenção para a necessidade de conservação da natureza. O país é o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa no mundo, principalmente por causa do desmatamento. Sendo assim, Claudio Maretti, destacou a importância da conservação dos ecossistemas terrestres e aquáticos, em especial das florestas, e defendeu firmemente o Código Florestal brasileiro.
“O Código Florestal deve ser defendido e mantido por ser a lei do futuro, uma vez que protege os ecossistemas como também promove sua adaptação às mudanças climáticas, que provocarão cada vez mais eventos climáticos extremos e freqüentes”, afirmou Maretti aos deputados.
“É emocionante ver tanta gente se engajando em um ato simbólico e mostrando que quer cuidar do planeta. A história da Hora do Planeta mostra que a cada ano que passa a mensagem sobre a gravidade do aquecimento global e a necessidade de conservação do meio ambiente chega a mais pessoas e tomadores de decisão, o que é muito positivo”, diz Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.
Participe você também. Cadastre-se e saiba como aderir e divulgar a Hora do Planeta 2010:
Site oficial e cadastro: www.horadoplaneta.org.br
Kit de mobilização: http://www.horadoplaneta.org.br/divulgue.php
Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma organização não-governamental brasileira dedicada à conservação da natureza com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. O WWF-Brasil, criado em 1996 e sediado em Brasília, desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.
Sobre a Hora do Planeta
A Hora do Planeta, conhecida globalmente como Earth Hour, é uma iniciativa global da Rede WWF para enfrentar as mudanças climáticas. No sábado, dia 27 de março de 2010, às 20h30, pessoas, empresas, comunidades e governo são convidados a apagar suas luzes pelo período de uma hora para mostrar seu apoio ao combate ao aquecimento global. Na primeira edição, realizada em 2007 na Austrália, 2 milhões de pessoas desligaram suas luzes. Em 2008, mais de 50 milhões de pessoas de todas as partes do mundo aderiram à ação. Em 2009, quando o WWF-Brasil realizou pela primeira vez a Hora do Planeta no Brasil, quase 1 bilhão de pessoas em todo o mundo apagaram suas luzes.

DOCUMENTÁRIO “UTOPIA E BARBÁRIE”
CHEGA AOS CINEMAS EM ABRIL
Road movie histórico de Silvio Tendler reconstrói o mundo
a partir da II Guerra Mundial
CABINE: SEXTA-FEIRA, 12 DE MARÇO, 10h30
ESPAÇO UNIBANCO DE CINEMA (Rua Augusta, 1.475)
Confirmar presença pelo e-mail: alessandra@procultura.com.br
No dia 23 de abril, chega aos cinemas de todo o país o filme “Utopia e Barbárie”, mais novo trabalho do cineasta Silvio Tendler, que se debruçou nos últimos 20 anos sobre o projeto. Partindo da II Guerra Mundial, o filme faz uma revisão nos eventos políticos e econômicos, que desde a metade do século XX elevaram ao risco e até ao desaparecimento dos sonhos de igualdade, de justiça e harmonia, em busca de entender as questões que mobilizam esses dias tumultuados: a utopia e a barbárie.
“Utopia e Barbárie” é um road movie histórico que percorreu ao todo 15 países: França, Itália, Espanha, Canadá, EUA, Cuba, Vietnã, Israel, Palestina, Argentina, Chile, México, Uruguai, Venezuela e Brasil. Em cada um desses lugares, Tendler documentou os protagonistas e testemunhas da história, os apresentando de forma apartidária, mas sem deixar de trazer um pouco do olhar do cineasta, que completa 60 anos em 12 de março de 2010.
Nas telas, Silvio Tendler trafega por alguns dos episódios mais polêmicos dos últimos séculos, como as bombas de Hiroshima e Nagasaki, o Holocausto, a Revolução de Outubro, o ano de 1968 no mundo (Brasil, França, Chile, Argentina, Uruguai, dentre outros), a Operação Condor, a queda do Muro de Berlim e a explosão do neoliberalismo mais canibal que a História já conheceu.
O cineasta foi à procura dos sonhos que balizaram o século XX e inauguram o século XXI. Ao longo de quase duas décadas de trabalho, Silvio Tendler fez uma minuciosa pesquisa e reconstruiu parte da história mundial, através do olhar de personagens com abordagens e trajetórias distintas, que ajudaram a compor um rico painel de nossa época. O diretor entrevistou inúmeros intelectuais, como filósofos, teatrólogos, cineastas, escritores, jornalistas, militantes, historiadores, economistas, além de testemunhas e vítimas desses episódios históricos.
Os dramaturgos Amir Haddad, Augusto Boal e Zé Celso Martinez, a economista Dilma Rousseff, o escritor e jornalista Eduardo Galeano, o poeta Ferreira Gullar e o jornalista Franklin Martins foram alguns dos nomes que concederam ao filme emocionantes depoimentos. Diversas vítimas, testemunhas e sobreviventes também narraram suas trajetórias, como a argentina Macarena Gelman e a brasileira nascida em Havana, Naisandy Barret, ambas filhas de desaparecidos políticos, além do estrategista do exército vietnamita, General Giap.
Cineastas de vários países também contribuíram com suas visões, como Denys Arcand (Canadá), Amos Gitai (Israel), Gillo Pontecorvo (Itália), Fernando Solanas (Argentina), Hugo Arévalo (Chile), Marceline Loridan (França), Mohamed Alatar (Palestina), Shin Pei (Japão), além dos cineastas brasileiros Cacá Diegues, Sérgio Santeiro e Marlene França.
Orçado em R$ 1 milhão, o longa-metragem conta com a narração de Letícia Spiller, Chico Diaz e Amir Haddad. A trilha sonora, especialmente composta para o filme, é assinada por Caíque Botkay, BNegão, Marcelo Yuka e pelo grupo Cabruêra.
Sobre o diretor
Silvio Tendler é diretor de O Mundo Mágico dos Trapalhões, que fez um milhão e oitocentos mil espectadores; Jango, fez um milhão e Os Anos JK, oitocentos mil espectadores. Seu último longa-metragem, Encontro com Milton Santos, ficou entre os dez documentários mais vistos de 2007. Com seus filmes Silvio ganhou quatro Margaridas de Prata (prêmio dado pela CNBB), seis kikitos (Festival de Gramado) e dois candangos (Festival de Brasília).
Ficha técnica
Título original: Utopia e Barbárie
Gênero: Documentário
Duração: 120minutos
Ano de lançamento: 2010
Distribuidora: Caliban Produções Cinematográficas LTDA
Direção: Silvio Tendler
Roteiro: Silvio Tendler
Narrado por: Amir Haddad, Chico Diaz e Letícia Spiller
Produção: Caliban Produções Cinematográficas LTDA
Trilha Sonora: Cabruera, Caíque Botkay, BNegão e Marcelo Yuka
Videografismo: Irmãos Vilarouca
Montagem: Bernardo Pimenta
Produção Executiva: Ana Rosa Tendler